quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Imaginário.




Sabe como eu imaginei o fim disso tudo? Imaginei nós dois lado a lado. Não acho que estaríamos juntos, não da forma que costumávamos estar, mas de outras. Talvez o tempo ensinasse, se conseguíssemos chegar até lá.
Sabe como eu imaginei o fim disso? Imaginei você voltando. Não da forma que costumava voltar. Não daquele jeito frio, como se nada estivesse doendo. A imagem ainda perfeita, sem nenhuma ferida. Na minha imaginação você era retalho, mas a dor ia embora de verdade.
Sabe como eu imaginei o fim disso? Me imaginei sorrindo. Não aquele sorriso amarelo, meio opaco,  quase sem brilho. Esse eu costumava usar porque era mais fácil mascarar as coisas. No fim que eu imaginei o sorriso era verdadeiro, como se eu soubesse que a felicidade estaria para sempre ali.
Sabe como eu imaginei o fim disso?  Imaginei nós dois sentados lado a lado. E nem seriamos dois velhos, ainda. O meu fim chegaria mais cedo, não levaria o tempo de uma vida. Não seria triste e sim só um fim. Abraçar não seria tortura, mas consolo. As palavras quase não seriam necessárias, e quando fossem sairiam naturalmente, sem o desespero que precede os finais.
Sabe como eu imaginei o fim disso? Imaginei um recomeço. Uma nova chance para nós dois. Duas novas vidas se estendendo, talvez seguindo na mesma direção, talvez tomando caminhos opostos. Prontas para acolher duas almas já desgastadas, mas com coragem para continuar.
Eu imaginei tudo isso. Imaginei tudo aqui, sozinho, me perguntando quando foi que imaginar deixou de ser  suficiente. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Desculpas.


Eu desviei do seu olhar algumas vezes, na tentativa salvar algo que você ainda não tivesse roubado de mim. Mas eu sou fraco.
Eu tentei também resistir aos toques, ao tom de voz, risos, ao jeito com que você me prendia em questões de segundos sem eu nem ao menos me dar conta. Mas, mais uma vez, eu sou fraco.
Não estou usando a fraqueza como desculpa. É uma constatação e não uma justificativa. E algo me impede de ter vergonha ao admitir isso, assim como algo me impede de tentar de verdade toda vez que quero salvar algo em mim, algo que ainda não seja teu.
Não que eu esteja cedendo facilmente, porque eu não estou. Mas não há sentido em não ceder algo que em suas mãos parece incompleto e em outras se faz perfeito. Então, eu cedo. Com medo, mas cedo. E não estou usando a perfeição como desculpa.
Na verdade eu estou procurando desculpas para não admitir que eu já sou teu. Não que isso seja verdade, mas talvez eu seja.