Sabe como eu imaginei o fim disso tudo? Imaginei nós dois lado a lado. Não acho que estaríamos juntos, não da forma que costumávamos estar, mas de outras. Talvez o tempo ensinasse, se conseguíssemos chegar até lá.
Sabe como eu imaginei o fim disso? Imaginei você voltando. Não da forma que costumava voltar. Não daquele jeito frio, como se nada estivesse doendo. A imagem ainda perfeita, sem nenhuma ferida. Na minha imaginação você era retalho, mas a dor ia embora de verdade.
Sabe como eu imaginei o fim disso? Me imaginei sorrindo. Não aquele sorriso amarelo, meio opaco, quase sem brilho. Esse eu costumava usar porque era mais fácil mascarar as coisas. No fim que eu imaginei o sorriso era verdadeiro, como se eu soubesse que a felicidade estaria para sempre ali.
Sabe como eu imaginei o fim disso? Imaginei nós dois sentados lado a lado. E nem seriamos dois velhos, ainda. O meu fim chegaria mais cedo, não levaria o tempo de uma vida. Não seria triste e sim só um fim. Abraçar não seria tortura, mas consolo. As palavras quase não seriam necessárias, e quando fossem sairiam naturalmente, sem o desespero que precede os finais.
Sabe como eu imaginei o fim disso? Imaginei um recomeço. Uma nova chance para nós dois. Duas novas vidas se estendendo, talvez seguindo na mesma direção, talvez tomando caminhos opostos. Prontas para acolher duas almas já desgastadas, mas com coragem para continuar.
Eu imaginei tudo isso. Imaginei tudo aqui, sozinho, me perguntando quando foi que imaginar deixou de ser suficiente.

